sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Carência de oportunidades é destaque na oficina do Noroeste de Minas Gerais

A juventude organizada no Território do Noroeste de Minas Gerais recebem nesta semana as oficinas de Desenvolvimento Territorial, do projeto Juventude no Desenvolvimento Territorial, uma parceria do Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

A cidade de Vazante (MG) sedia o evento, que começou no dia 10 de novembro e vai até amanhã (12). Entre os destaques do primeiro dia de oficina, aparecem, nas análises dos jovens rurais, grande insatisfação com a política territorial e denúncia da ausência de ações ou programas que atendam aos jovens. O fato é que os jovens têm consciência da existência de programas nacionais, por exemplo, mas essa participação é freada pela estrutura organizacional do estado, pela ausência de diálogo com os executivos municipais e as dificuldades impostas pela localização territorial, que são somadas ao processo burocrático de acesso ao financiamento para a agricultura, por exemplo. Uma soma de fatores negativos impedem a circulação de informações e pessoas. Não há comunicação digital na região e o transporte é precário, quando inexistente. A exemplo disso, citamos as linhas de ônibus intermunicipais, que, em muitos municípios, só circulam em dois horários, uma pela manhã e outro no fim da noite. “O transporte é muito precário e o preço é muito alto, já que temos que pagar um ônibus mensalmente para sair da cidade em que moramos para poder estudar”, afirma jovem que não quis se identificar, com receio de represálias no município onde mora.

Outras questões, como a situação de pobreza de muitas famílias e o afastamento constante de jovens do trabalho na agricultura, e o consequente êxodo rural, demonstram a fragilidade da região, que também contou na atividade com representantes dos municípios de Presidente Olegário, Lagamar, Brasilândia e Paracatú. “A política da má distribuição e exploração não tem graça, parece até má brincadeira, pois tiram da gente o que é nosso de direito. Chega de ser desumano”, destaca o jovem Geovane, indignado com as condições de sobrevivência colocadas na região. Em contraponto aos problemas sociais colocados, destaca-se a exploração de minérios, especialmente o ouro, assim como forte investimento na monocultura. Essa exploração dos bens naturais é feita por grandes corporações mundiais, a exemplo do grupo Kinross, da Votarantin, da Bevap, do Mas, da Petrobras e da Global.

Durante o dia de hoje, os jovens serão incitados a pensarem propostas de intervenção na política local, assim como produzirão diagnóstico da participação política e dos espaços de intervenção pública.

Comunicação IJC
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